Tom Lyra reflete sobre futuro do trabalho e o papel do Tocantins diante da automação
Em artigo de opinião, Tom Lyra relata impressões de viagem à China e provoca debate sobre inteligência artificial, robótica e o que restará quando o dinheiro perder relevância.

O articulista Tom Lyra assina texto de opinião publicado nesta segunda-feira (21) em que compartilha inquietações trazidas de uma viagem recente à China. Ele afirma ter observado de perto fábricas inteligentes, automação, robótica e inteligência artificial, cenário que o levou a questionar se o mundo preparado para as próximas gerações será semelhante àquele em que se aprendeu a viver.
No artigo, Lyra menciona previsões atribuídas a Elon Musk, entre elas a possibilidade de a inteligência artificial superar a humana, a existência de centenas de milhões ou até um bilhão de robôs humanoides em atividade, o aumento extraordinário da produtividade e a ideia de que o trabalho poderá se tornar opcional e o dinheiro perder parte de sua importância. O autor cita a projeção de que, por volta de 2036, o dinheiro poderá deixar de ter a relevância atual, mas ressalva que se trata de previsão especulativa, que pode estar errada nos prazos ou não se concretizar.
Lyra pondera que a transformação tecnológica já é realidade: sistemas de inteligência artificial escrevem, traduzem, programam, analisam documentos, produzem imagens e executam tarefas que antes exigiam horas ou dias de trabalho especializado. Combinada a robôs capazes de operar 24 horas por dia em atividades como plantar, colher, construir, transportar e limpar cidades, essa mudança deslocaria a pergunta econômica de "quanto custa contratar uma pessoa" para "quanto custa colocar uma máquina para fazer esse trabalho".
O autor alerta, porém, que produzir riqueza não significa distribuí-la automaticamente. Ele levanta questões sobre quem será dono dos robôs, quem controlará a inteligência artificial, os dados, a energia e as grandes plataformas tecnológicas, além de como a riqueza será distribuída, como os governos serão financiados e como as pessoas serão preparadas para uma economia em que profissões podem desaparecer e outras, ainda inexistentes, surgirão.
Ao relacionar o debate ao Tocantins, Lyra sustenta que o estado reúne território, água, produção agrícola, potencial energético, localização estratégica e recursos naturais, mas defende mudança de mentalidade. Segundo ele, não basta vender soja, produzir minério ou gerar energia: é preciso avançar em processamento, agregação de valor, transformação industrial e uso da energia para atrair data centers e novos negócios, além de preparar os jovens para carreiras que talvez ainda não existam.



