PEC 6×1 trava no Senado e divide opiniões em audiência pública
A Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala de trabalho 6×1, paralisada há mais de um mês na mesa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, gerou divergências entre governo, oposição, empresários e sindicatos durante audiência pública nesta quarta-feira.

Empresários dos setores de comércio, transportes e indústria, além de senadores da oposição, criticaram a PEC, argumentando que ela eleva os custos trabalhistas e prejudica a economia. Eles defendem que a jornada seja definida por negociação direta entre empregados e empregadores, e não por mudança legislativa.
Representantes de centrais sindicais e do governo federal rebateram, afirmando que os custos são pequenos, comparáveis a um aumento do salário mínimo. Para os defensores, os trabalhadores estão exaustos com a escala 6×1 e precisam de mais tempo para família, estudos e lazer.
O ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) citou estudo do Ipea que aponta impacto de 7,8% nos custos, similar ao aumento real do salário mínimo, e destacou que o Brasil registrou recorde de afastamentos por burnout e depressão em 2025, com 4,1 milhões de trabalhadores afastados por motivos de saúde.
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, defendeu proposta alternativa da oposição que mantém a escala 6×1 e introduz contrato por hora trabalhada. Ele pediu que a votação ocorra apenas após as eleições, para que senadores possam votar com liberdade.
O presidente da CNT, Vander Costa, solicitou uma transição mais longa para a redução da jornada, sugerindo uma hora por ano para que os empresários absorvam os custos gradualmente.



