Orçamento de 2027 prevê R$ 413 milhões para helicópteros de instrução; só 8 chegam no ano
O projeto de lei orçamentária de 2027 reserva R$ 413 milhões para o programa TH-X, que prevê 27 helicópteros de instrução básica, mas apenas oito unidades devem ser entregues no próximo ano, divididas igualmente entre Marinha e Força Aérea.

O programa TH-X, voltado à aquisição de helicópteros leves para treinamento básico de pilotos, está contemplado no orçamento de 2027 com uma dotação de R$ 413 milhões. O valor, porém, cobre apenas uma parte do projeto, que prevê a compra de 27 aeronaves no total. Para o próximo ano, a previsão é de que oito unidades sejam entregues, sendo quatro para a Marinha e quatro para a Força Aérea.
Esses helicópteros são essenciais para a formação de pilotos de asa rotativa, servindo como plataforma inicial antes do salto para aeronaves operacionais. Como são usados intensivamente por alunos, o desgaste é elevado e a manutenção constante. Sem essa frota, a capacitação fica comprometida, afetando diretamente a preparação de futuros aviadores militares.
Além do TH-X, o mesmo projeto orçamentário destina R$ 571,8 milhões para o KC-390 Millennium, com previsão de uma aeronave adicional em 2027, e R$ 115 milhões para a construção de navios-patrulha de 500 toneladas. Os três programas têm perfis distintos: formação, transporte estratégico e patrulha costeira, nenhum deles voltado a plataformas de ataque.
A divisão das oito primeiras aeronaves, quatro para cada força, significa que nenhuma terá esquadrão completo no próximo ano. A entrega das 27 unidades deverá se estender por vários exercícios financeiros, o que pode impactar a capacidade de formação ao longo da década. Enquanto isso, a cooperação entre forças e com países parceiros é apontada como essencial para manter o treinamento nesse intervalo.
Paralelamente, o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro firmou contrato com a Diretoria de Fabricação do Exército para produzir quatro lanchas blindadas de patrulha e fiscalização de fronteira, uma versão aperfeiçoada da classe São Félix do Araguaia. O acordo chama a atenção por envolver a Marinha encomendando embarcações a uma diretoria do Exército, em vez de recorrer a estaleiros privados.
Vale ressaltar que o projeto de lei orçamentária ainda não foi aprovado e está sujeito a alterações no Congresso. Além disso, a execução dos recursos pode ser afetada por contingenciamentos, como ocorre historicamente com programas de defesa. Assim, o número de 27 aeronaves é mais relevante que o valor previsto, pois define o ritmo de formação de pilotos nos próximos anos.



