Crônicas do Portelinha: Quando o rebanho aprende a pensar
Colunista reflete sobre a perda da autonomia individual e a importância de questionar, mesmo diante da pressão social.

Em sua coluna desta segunda-feira, o professor João Portelinha da Silva, da UFT, aborda a metáfora do rebanho para discutir a conformidade social e a perda da capacidade crítica. Ele parte de uma frase atribuída a George Orwell para questionar quando as pessoas deixam de ser indivíduos e passam a seguir cegamente o grupo.
O autor argumenta que o rebanho não é formado apenas por ignorantes, mas também por pessoas instruídas que apenas justificam as crenças do grupo. O problema, segundo ele, começa quando paramos de perguntar "isso é verdade?" e passamos a perguntar apenas "quem disse?", valorizando mais a origem da informação do que o seu conteúdo.
Portelinha critica o comportamento nas redes sociais, onde opiniões são repetidas sem verificação, e heróis viram criminosos em questão de horas. Ele destaca que pensar individualmente dá trabalho, enquanto pertencer ao rebanho é confortável, pois oferece abrigo e aprovação.
O professor conclui que a liberdade não está apenas em poder falar, mas em ter coragem de pensar de forma independente, discordar dos próprios aliados e admitir erros do grupo. Para ele, a verdadeira cidadania exige que cada um conserve o direito e a coragem de pensar, evitando que o poder torne as cercas desnecessárias.



