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MPE encontra água contaminada e falhas estruturais em escola rural de Miracema do Tocantins

Vistoria do Ministério Público do Tocantins na Escola de Campo Boanerges Moreira de Paula, no Assentamento Brejinho, apontou água com coliformes no preparo da merenda, ausência de água encanada nos banheiros e riscos na cozinha.

Por Redação Zero Um · 25 de setembro de 2026 às 09:20
MPE encontra água contaminada e falhas estruturais em escola rural de Miracema do Tocantins

O Ministério Público do Tocantins (MPE) identificou uma série de irregularidades durante vistoria realizada nesta quinta-feira, 24, na Escola de Campo Boanerges Moreira de Paula, situada no Assentamento Brejinho, zona rural de Miracema do Tocantins. A unidade atende 55 estudantes e a inspeção foi conduzida pelos promotores de Justiça Anelise Schlickmann Mariano e Rodrigo Souza.

Segundo o órgão, a água do poço usada no preparo das refeições escolares apresentou resultado insatisfatório em análise do Laboratório Central de Saúde Pública do Tocantins (Lacen). O laudo, emitido em junho, apontou a presença de coliformes totais e da bactéria Escherichia coli, que pode provocar infecções intestinais e do trato urinário. Apesar de o município fornecer galões de água mineral para o consumo direto dos alunos, a cozinha continua utilizando a fonte contaminada no preparo dos alimentos.

A fiscalização também constatou a falta de água encanada nos banheiros. Conforme relatos colhidos durante a vistoria, os próprios estudantes precisam carregar baldes de água para usar os sanitários e lavar as mãos. "São situações graves envolvendo a falta de água e o calor excessivo, problemas conhecidos que prejudicam a atenção dos alunos, a segurança alimentar e a saúde de todas as crianças", afirmou a promotora Anelise Schlickmann Mariano.

Na cozinha, os promotores verificaram que o único forno em funcionamento fica abafado dentro do depósito de alimentos, o que gera calor excessivo, coloca em risco a conservação dos insumos e representa perigo de acidentes pela ausência de exaustão de ar. A vistoria abrangeu ainda o transporte escolar rural, tema de procedimento administrativo instaurado pelo MPE para apurar denúncias sobre a interrupção da rota que atende o assentamento.

Outro ponto analisado foi o modelo de turmas multisseriadas, em que alunos de séries diferentes estudam no mesmo espaço sob a orientação de um único professor. O MPE busca verificar se o formato é executado com planejamento pedagógico adequado, material didático apropriado e capacitação continuada dos docentes, além de garantir condições para o desenvolvimento de habilidades de leitura, escrita e matemática. A escola conta com 14 servidores, sendo seis efetivos e sete contratados temporariamente.

A partir das irregularidades, o MPE deverá expedir recomendações ao poder público, com medidas e prazos para a solução dos problemas. Caso as providências não sejam adotadas, o órgão poderá recorrer a medidas judiciais, incluindo o ajuizamento de Ação Civil Pública (ACP) para buscar o cumprimento das obrigações. "A nossa presença no ambiente escolar permite enxergar a realidade além dos relatórios e perceber que a escassez e a falta de qualidade da água na unidade de ensino sinalizam um problema estrutural que atinge toda a comunidade do assentamento", disse o promotor Rodrigo Souza.

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