Crônicas do Portelinha: os riscos da inteligência artificial para a democracia
O avanço das deepfakes e da desinformação digital ameaça a confiança nas instituições e no processo eleitoral brasileiro.

Em artigo publicado nesta sexta-feira, 19, o professor João Portelinha da Silva, da Universidade Federal do Tocantins, alerta para os perigos do uso da inteligência artificial generativa na criação de conteúdos falsos durante as eleições. Segundo ele, a tecnologia permite fabricar documentos, imagens, áudios e vídeos realistas em segundos, o que pode ser usado para difamar adversários e manipular a opinião pública.
Portelinha destaca que a Justiça Eleitoral já estabeleceu regras para conter o problema, como a obrigatoriedade de rotulagem de conteúdo sintético e restrições ao uso de deepfakes na propaganda eleitoral. No entanto, ele critica a resistência de setores políticos à adoção de mecanismos mais rigorosos de combate à manipulação digital, que muitas vezes invocam a liberdade de expressão como justificativa.
Para o professor, a grande arma da desinformação moderna não é convencer as pessoas de uma mentira, mas sim fazê-las duvidar de tudo. Quando a verdade perde força, prosperam oportunistas e extremistas, colocando em risco o pacto social que sustenta a democracia. Ele defende que a liberdade de expressão não pode ser usada como licença para falsificar a realidade.
O artigo conclui que o maior desafio das democracias contemporâneas não é criar inteligências artificiais mais poderosas, mas preservar a capacidade humana de distinguir a verdade da ilusão. A tecnologia, em si, não é o problema, mas o uso que se faz dela.



