Colunista critica naturalização da desigualdade e defende dignidade como princípio ético
Em artigo de opinião, Ricardo Viveiros afirma que a defesa da dignidade humana tem sido tratada como posicionamento ideológico questionável e não como princípio ético básico.

O jornalista, professor e escritor Ricardo Viveiros publicou artigo no qual critica a naturalização da desigualdade social no Brasil. Para ele, a defesa de direitos humanos e condições mínimas de vida passou a ser vista como mera opção política, e não como compromisso moral.
Viveiros aponta que a democracia brasileira ainda não incorporou o valor da vida humana, especialmente de grupos marginalizados como mulheres, indígenas, negros e LGBTQIAPN+. Ele argumenta que discursos de liberdade frequentemente ignoram as condições materiais necessárias para que as pessoas exerçam essa liberdade.
O texto menciona a persistência de violências estruturais e a indiferença de parte da sociedade diante do sofrimento alheio. O autor cita Simone de Beauvoir para lembrar que o opressor conta com cúmplices entre os próprios oprimidos, referindo-se à aceitação passiva das injustiças.
Viveiros também critica o uso de slogans como 'Brasil acima de tudo, Deus acima de todos', associando-os a símbolos nazifascistas. Ele defende que Deus seria amor, não ódio, e que a fé não deve ser usada para excluir.
O artigo conclui com um apelo à reflexão sobre o voto como ferramenta de transformação, e não como arma. O autor rejeita a ideia de que falar em direitos humanos polariza o país, atribuindo a polarização à trajetória histórica de violência e exclusão.



