A imortalidade segundo José Cândido Póvoa: uma reflexão sobre memória e cultura
Em artigo, o poeta e escritor José Cândido Póvoa discute o verdadeiro sentido do título de 'imortal' concedido aos acadêmicos de letras.

O poeta, escritor e advogado José Cândido Póvoa, membro-fundador da Academia de Letras de Dianópolis, publicou um artigo no qual reflete sobre o significado do termo 'imortal' usado para designar os integrantes de academias de letras. Ele lembra que a Academia Brasileira de Letras, criada em 1897, adotou o lema 'Ad immortalitatem' e define seus 40 membros como 'perpétuos', mas ressalta que a verdadeira imortalidade não está na carne, mas na memória e na obra deixada.
Póvoa observa que, ao tomar posse em uma academia, o novo acadêmico recebe o título de imortal, independentemente do alcance de sua obra. No entanto, ele destaca que o acadêmico continua sujeito ao envelhecimento e à morte, enquanto a cadeira permanece, sendo ocupada por outro após sua partida. Para ele, a cadeira funciona como uma ponte entre gerações, unindo o passado e o futuro.
O autor argumenta que a verdadeira imortalidade está na lembrança que se deixa. Um escritor pode ser pouco conhecido em vida, mas sobreviver ao seu tempo se alguém, no futuro, encontrar em suas palavras uma mensagem que toque a alma. Nesse momento, o morto 'volta a viver', e essa seria a forma mais bela de imortalidade: conversar, por meio da palavra, com alguém que ainda não nasceu.
Ao final, Póvoa conclui que a morte pode fechar os olhos de um homem, mas nem sempre consegue calar sua voz. Ele reforça que a cultura e a morte são os dois fatores que igualam as pessoas, e encerra com a citação: 'Quem tem ouvidos que ouça, quem tem olhos que veja!'.



