Polícia investiga se morte de menino em Palmas foi usada para atingir a mãe
A Polícia Civil apura se a morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, pode ter sido um caso de violência vicária, com a criança usada como instrumento para provocar sofrimento à mãe.

A investigação sobre a morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, em Palmas, ganhou novo rumo. A Polícia Civil passou a considerar a hipótese de que o menino tenha sido vítima de violência com o objetivo de atingir a própria mãe, caracterizando o que é conhecido como violência vicária. A suspeita surgiu após a análise de elementos do inquérito e da decisão que decretou a prisão preventiva do pai e da madrasta da criança.
Igor Veloso, pai de Gustavo, e Kathellen Moreira, madrasta, estão presos preventivamente. Inicialmente, o delegado Eduardo Menezes representou pelas prisões por suspeita de homicídio e tortura, mas não descartou a inclusão de outros crimes conforme o avanço das investigações. Na decisão que autorizou as prisões, o juiz Cledson Nunes mencionou o histórico de ameaças envolvendo a mãe, Sabrina Feitosa da Silva, e o fato de Gustavo estar sob os cuidados do casal quando morreu.
O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) descartou a versão de afogamento apresentada pelo pai. A perícia identificou múltiplas lesões no corpo da criança e sinais de violência sexual, incompatíveis com morte por afogamento. A mãe relatou episódios anteriores de ameaças e entregou à polícia fotos e vídeos que mostram o menino retornando das visitas ao pai com marcas pelo corpo, incluindo arranhões e hematomas desde 2024.
A violência vicária é um conceito que ganhou previsão legal na Lei Maria da Penha, por meio da Lei nº 15.383/2026, sancionada em abril deste ano. A advogada Cristiane Mezzaroba explicou que, nesse contexto, a criança pode ser usada como instrumento para punir ou controlar a mãe. No caso de Gustavo, o enquadramento ainda não está definido e dependerá da conclusão do inquérito, da análise do Ministério Público e da Justiça.
As defesas de Igor e Kathellen afirmam que as acusações são graves e devem ser analisadas com cautela. A polícia segue investigando, incluindo a análise de uma gravação em que Gustavo aparece, segundo o delegado, “nitidamente dopado”. O caso segue sob segredo de justiça.



