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Polícia Civil do Tocantins indicia ex-secretária de Saúde de Palmas e mais nove por suposto esquema de desvio de R$ 139 milhões

A Divisão Especializada de Repressão à Corrupção concluiu inquérito que aponta fraudes, superfaturamento e lavagem de dinheiro na gestão de UPAs da capital.

Por Redação Zero Um · 22 de junho de 2026 às 10:20
Polícia Civil do Tocantins indicia ex-secretária de Saúde de Palmas e mais nove por suposto esquema de desvio de R$ 139 milhões

A Polícia Civil do Tocantins, por meio da Divisão Especializada de Repressão à Corrupção (DECOR), finalizou o inquérito policial nº 5050/2026 e indiciou 10 pessoas, entre elas a ex-secretária municipal de Saúde, por suspeita de desvio de recursos públicos na Saúde de Palmas. A investigação apura fraudes na celebração do Termo de Colaboração nº 001/2026/SEMUS, firmado entre o município e a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba (SCMI), que previa o repasse de R$ 139 milhões para a gestão das UPAs Norte e Sul.

Segundo o relatório da DECOR, o processo administrativo foi marcado por irregularidades como a supressão de etapas obrigatórias, ausência do Procedimento de Manifestação de Interesse Social (PMIS) e uso de informações privilegiadas. A investigação aponta que a SCMI apresentou proposta detalhada com fotos de áreas restritas das UPAs antes mesmo de o município manifestar interesse público na terceirização.

A polícia identificou indícios de superfaturamento que podem chegar a R$ 88,8 milhões anuais. O valor repassado à SCMI corresponde a 2,77 vezes o custo calculado pela própria administração municipal para as despesas da entidade. Há ainda suspeitas de “quarteirização”, em que a SCMI atuaria como intermediária para repassar valores a empresas terceirizadas que já prestavam serviços ao município.

Um dos pontos centrais da investigação é a suposta propina em forma de veículo de luxo e viagens. Um BMW/X1 M Sport, ano 2025/2026, era utilizado por Andreis Vicente da Costa, então Assessor Especial de Planejamento Estratégico da SEMUS, mas estava locado em nome de Cláudia Fernanda Cândido da Silva, apontada como articuladora dos interesses da Santa Casa. Cláudia também financiou ao menos cinco viagens aéreas conjuntas com Andreis e pagou passagens exclusivas para o servidor com seu cartão de crédito pessoal.

A investigação revelou ainda que Cláudia Fernanda fugiu de sua residência 14 minutos antes da chegada da polícia na segunda fase da operação, com auxílio de uma amiga, Jaqueline Tereza, que escondeu o carro da investigada e deu abrigo por seis horas. O caso segue sob análise do Ministério Público e da Justiça.

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