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Paciente vive 271 dias com rim de porco geneticamente modificado e estabelece novo recorde em xenotransplante

Um homem de 66 anos com doença renal terminal passou nove meses sem diálise após receber um rim de porco geneticamente modificado, marcando um avanço na medicina de transplantes.

Por Redação Zero Um · 05 de setembro de 2026 às 13:38
Paciente vive 271 dias com rim de porco geneticamente modificado e estabelece novo recorde em xenotransplante

Um paciente norte-americano de 66 anos, identificado como Tim Andrews, viveu 271 dias com um rim de porco geneticamente modificado, sem necessidade de diálise, conforme divulgado pela equipe médica liderada pelo brasileiro Leonardo Riella, professor da Harvard Medical School. O procedimento, realizado em janeiro de 2025, representa um recorde na área de xenotransplante, que estuda o uso de órgãos animais em humanos.

Antes da cirurgia, Tim dependia de diálise e tinha limitações em suas atividades diárias. Após o transplante, ele recuperou a autonomia e voltou a praticar atividades como acampar e cortar madeira. Para viabilizar o procedimento, os cientistas modificaram geneticamente o porco doador, removendo genes que poderiam causar rejeição e desativando vírus presentes no DNA animal. Além disso, sete genes humanos foram inseridos no material genético do porco, tornando o órgão mais compatível com o corpo humano.

Apesar do sucesso inicial, Tim desenvolveu uma infecção bacteriana não relacionada ao transplante, o que obrigou os médicos a reduzirem os imunossupressores. Com isso, o sistema imunológico passou a atacar o rim suíno, levando à retirada do órgão após 271 dias. Mesmo assim, o período sem diálise foi significativo, e 82 dias depois, Tim recebeu um rim humano, que segue funcionando sem sinais de rejeição.

O caso reacende o debate sobre o xenotransplante como alternativa para a escassez de órgãos. No Brasil, cerca de 45 mil pessoas aguardam por um transplante renal, segundo dados citados na pesquisa. Riella estima que, em cinco anos, a técnica possa ser uma opção para alguns pacientes, mas ressalta que ainda são necessários estudos para avaliar segurança, durabilidade dos órgãos e controle da rejeição. Por enquanto, o transplante humano segue como tratamento padrão.

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