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Ex-sargento tocantinense é condenado novamente por integrar esquema internacional de tráfico de drogas

O ex-sargento da Força Aérea Brasileira Manoel Silva Rodrigues, natural de Xambioá (TO), foi condenado a três anos de prisão pela Justiça Militar por associação para o tráfico de drogas, após ficar comprovado que ele integrava uma organização criminosa que enviava entorpecentes ao exterior.

Por Redação Zero Um · 15 de julho de 2026 às 14:40
Ex-sargento tocantinense é condenado novamente por integrar esquema internacional de tráfico de drogas

Manoel Silva Rodrigues, ex-sargento da Força Aérea Brasileira (FAB), natural de Xambioá, no norte do Tocantins, foi condenado novamente pela Justiça Militar no caso do transporte de cocaína em aeronave oficial da FAB durante missão internacional em 2019. Desta vez, a pena foi de três anos de prisão por associação para o tráfico de drogas, após a Justiça concluir que ele fazia parte de uma organização criminosa voltada ao envio de entorpecentes para o exterior.

Rodrigues ganhou notoriedade em junho de 2019, quando foi preso em flagrante no aeroporto de Sevilha, na Espanha, transportando 37 quilos de cocaína em uma aeronave que dava apoio logístico à comitiva do então presidente Jair Bolsonaro. Pelo tráfico internacional, ele já havia sido condenado anteriormente a 17 anos de prisão.

A nova sentença aponta que o ex-militar não atuava apenas como transportador da droga. Segundo o juiz Frederico Magno de Melo Veras, Manoel participou das tratativas do grupo e tinha papel importante na logística da operação criminosa. “O ex-2S não atuava como uma simples ‘mula’. À época dos fatos, era graduado da FAB, com anos de serviço prestado, desfrutando da confiança institucional necessária para integrar escalas de missões internacionais de relevância”, registra a decisão.

De acordo com a Justiça Militar, o esquema explorava a facilidade de circulação concedida às missões oficiais brasileiras no exterior para reduzir o risco de fiscalização alfandegária. O magistrado destacou que, por conhecer os protocolos das viagens oficiais, o ex-sargento tinha plena consciência de que sua bagagem dificilmente seria submetida a inspeções.

Além de Manoel Silva Rodrigues, outros dois acusados também foram condenados. O empresário Marcos Daniel Gama, apontado como financiador e mentor do esquema, recebeu pena de 22 anos de prisão. Já o segundo-sargento da Aeronáutica Jorge Luiz da Cruz Silva foi condenado a 19 anos de reclusão. A Justiça Militar entendeu que o grupo mantinha uma estrutura organizada para remessas internacionais de cocaína e utilizava recursos do aparato estatal para facilitar o transporte da droga.

Os 37 quilos de cocaína apreendidos na Espanha estavam avaliados em aproximadamente 1,3 milhão de euros, cerca de R$ 6 milhões na cotação da época. As investigações apontaram que o transporte vinha sendo planejado meses antes da prisão, com tentativas semelhantes articuladas em março e abril de 2019, embora não tenham sido executadas. O Ministério Público Militar sustentou ainda que Manoel e a esposa apresentaram melhora significativa no padrão financeiro naquele período, atribuída à atuação do ex-militar na organização criminosa.

A Justiça Militar absolveu o ex-sargento e a esposa da acusação de lavagem de dinheiro, por entender que não houve elementos suficientes para caracterizar ocultação ou dissimulação da origem ilícita dos valores. Atualmente, Manoel cumpre pena de seis anos imposta pela Justiça espanhola, em regime equivalente à liberdade condicional. Paralelamente, tramita um pedido de extradição para que ele retorne ao Brasil e cumpra a condenação de 17 anos pelo tráfico internacional de drogas.

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