Eduardo critica saída do Coletivo Somos: 'nas turbulências é que você conhece os comportamentos'
O prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, afirmou nesta sexta-feira que momentos de crise revelam o verdadeiro comportamento dos aliados políticos, após o Coletivo Somos anunciar sua saída da base governista.

Dois dias após o Coletivo Somos comunicar o rompimento com a base do governo na Câmara de Palmas e o desligamento do secretário extraordinário de Igualdade Racial e Direitos Humanos, José Eduardo de Azevedo, o prefeito Eduardo Siqueira Campos reagiu publicamente. Em declaração à imprensa, ele afirmou que a turbulência política mostra quem são os verdadeiros companheiros. “Eu fui criado em Legislativos. Sei bem o que é oposição e situação. Ter companheiros quando não há turbulência faz parte. Nas turbulências é que você conhece quais são os comportamentos”, disse.
Sem mencionar nominalmente os integrantes do Coletivo Somos, Eduardo sugeriu que a decisão foi influenciada pela pressão decorrente da operação policial que investiga suspeitas de fraude no contrato de R$ 139 milhões entre a prefeitura e a Santa Casa de Misericórdia de Itatiba para administrar as UPAs da capital. A ação resultou na prisão da então secretária de Saúde, Dhieine Caminski, e de outras pessoas. O prefeito defendeu a ex-secretária e afirmou que não fará julgamento antecipado. “Até agora não me apresentaram uma única prova. Não vou jogar a biografia de uma pessoa no lixo, de uma mulher que se dedicou ao serviço público e que ainda não teve oportunidade de apresentar sua defesa”, declarou.
Eduardo também justificou a manutenção de Dhieine no cargo antes da prisão, argumentando que não encontrou motivos administrativos para demiti-la. Segundo ele, todos os questionamentos sobre a contratação da Santa Casa de Itatiba já estão sendo analisados em processos judiciais e administrativos. “Tudo o que está sendo questionado está sendo analisado. Até este momento eu não encontrei razão para demitir a secretária. Ela tem direito de apresentar sua versão dos fatos”, afirmou.
O prefeito voltou a defender o modelo de gestão das UPAs por meio da Santa Casa de Itatiba, dizendo que a parceria melhorou o atendimento à população. “Vamos para a porta das UPAs perguntar às pessoas quanto tempo elas esperaram para ser atendidas. Hoje as unidades estão funcionando. É para essas famílias que eu trabalho”, disse. Ele criticou comparações sobre os valores do contrato e afirmou que as acusações ignoram os custos operacionais.
A saída do Coletivo Somos representa a primeira baixa significativa na base de sustentação política de Eduardo Siqueira Campos desde o início da gestão. O grupo afirmou que divergências políticas e administrativas vinham sendo debatidas há meses e que os acontecimentos recentes inviabilizaram a aliança. Apesar do rompimento, o prefeito evitou ataques diretos e disse respeitar a decisão dos ex-aliados. “Eu respeito a posição deles. Só digo que é nos momentos difíceis que você conhece verdadeiramente as pessoas”, concluiu.
A crise política foi desencadeada pela operação da Polícia Civil que investiga suspeitas de fraude no contrato de R$ 139 milhões entre a prefeitura e a Santa Casa de Misericórdia de Itatiba para a gestão das UPAs Norte e Sul de Palmas. A ação resultou na prisão da ex-secretária de Saúde, Dhieine Caminski, do servidor Andreis Vicente da Costa e da empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva, apontada como intermediadora do esquema.



