Crônicas do Portelinha: o espelho americano e o valor do SUS
Colunista critica a idealização dos EUA e defende o SUS como modelo de saúde universal, apesar de suas falhas.

Em sua coluna, o professor João Portelinha da Silva analisa a tendência de muitos brasileiros de enxergarem os Estados Unidos como um modelo a ser seguido em diversas áreas, especialmente na saúde. No entanto, ele alerta que essa visão ignora as desigualdades profundas do sistema americano, onde o acesso ao cuidado médico é fortemente condicionado pela renda.
Dados citados pelo colunista mostram que, mesmo sendo o país que mais gasta com saúde entre nações ricas, os EUA ocupam a última posição em um ranking comparativo de sistemas de saúde. Mais de 25 milhões de americanos não têm seguro médico, e cerca de 100 milhões enfrentam dívidas relacionadas a despesas de saúde, revelando um cenário de exclusão.
Portelinha contrasta essa realidade com o Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro, que, apesar de suas deficiências como filas e falta de recursos, garante atendimento universal. Ele argumenta que o SUS deve ser aperfeiçoado e financiado, e não substituído por um modelo que trata a saúde como mercadoria.
O autor conclui que a admiração pelos EUA muitas vezes ignora os excluídos, e sugere que o Brasil deveria servir de inspiração para os americanos, já que o SUS é reconhecido internacionalmente pela OMS. Para ele, um país não se mede pela sofisticação de seus hospitais, mas pela capacidade de acolher quem não pode pagar.



