Anvisa aprova novos medicamentos contra obesidade, mas SUS segue sem tratamento para a doença
A aprovação de cinco novos medicamentos antiobesidade pela Anvisa reacende o debate sobre acesso e regulação no Brasil, enquanto o SUS ainda não oferece tratamento para a doença.

Na última semana de julho de 2026, a Anvisa aprovou cinco novos medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, como semaglutida, ampliando as opções terapêuticas para obesidade e diabetes. A medida, elogiada por especialistas, reforça a importância da regulação sanitária, mas também expõe desafios históricos no combate a produtos irregulares e na garantia de acesso da população.
A obesidade é uma doença crônica e multifatorial, que afeta 68% dos adultos brasileiros, segundo a Federação Mundial de Obesidade. No Tocantins, a prevalência é de 30% entre adultos e mais de 45% entre idosos, conforme dados do SISVAN. A condição está associada a mais de 200 outras doenças, como infarto, diabetes e câncer, mas o SUS ainda não oferece tratamento medicamentoso para obesidade, o que gera pressão por políticas públicas efetivas.
A aprovação da Anvisa ocorre em meio a um cenário de contrabando e venda de medicamentos sem garantias de qualidade, como a tirzepatida, que circulam sem os devidos controles de pureza e armazenamento. A resolução nº 948, de dezembro de 2024, estabelece requisitos rigorosos para a regularização de medicamentos, incluindo certificados de boas práticas de fabricação, mas a fiscalização ainda enfrenta desafios.
Especialistas defendem que a saúde pública deve priorizar estratégias baseadas em evidências, como tributação de ultraprocessados, regulação de publicidade alimentar e criação de núcleos multidisciplinares de tratamento. A telemedicina também é apontada como ferramenta para ampliar o acesso em regiões remotas. A inclusão de medicamentos aprovados pela Anvisa no SUS é vista como passo essencial para garantir dignidade no tratamento.
A autora do artigo, a médica Marcela Pitaluga, alerta para o risco de politização do tema em ano eleitoral, quando a obesidade pode ser usada como bandeira sem respaldo científico. Ela cita o médico Dom Antônio Augusto Dias Duarte: “Creio na medicina que serve os doentes e nunca se serve dos doentes”. A mensagem é clara: políticas públicas devem ser coerentes e salubres, não eleitoreiras.



