Bibliotecários salvam manuscritos centenários de Timbuktu em operação secreta de 7 meses
Entre 2012 e 2013, bibliotecários de Timbuktu, no Mali, transportaram secretamente centenas de milhares de manuscritos antigos para Bamako, a quase mil quilômetros de distância, escondendo-os em 27 casas alugadas.

Uma operação sigilosa conduzida entre junho de 2012 e janeiro de 2013 retirou de Timbuktu, no Mali, centenas de milhares de manuscritos antigos, transportando-os por cerca de 965 quilômetros até a capital, Bamako. Os documentos foram acondicionados em baús e contêineres de metal, seguindo por carro, canoa pelo rio Níger e, em alguns trechos, carregados à mão. Ao chegarem, foram distribuídos por 27 casas alugadas na capital, para evitar que um único endereço concentrasse o acervo.
As estimativas sobre a quantidade de manuscritos variam: fontes ligadas ao organizador da operação citam cerca de 350 mil, enquanto um relatório da federação internacional de bibliotecas registra aproximadamente 300 mil documentos em 2.400 contêineres metálicos. A diferença decorre de métodos de contagem distintos, considerando peças, volumes ou caixas. Apesar do esforço, mais de 4.000 manuscritos, alguns do século 13, foram destruídos na cidade, evidenciando as perdas mesmo diante do resgate.
O acervo de Timbuktu não se limita a textos religiosos: inclui tratados de astronomia, matemática, medicina, direito, música, contratos comerciais e correspondências, escritos entre os séculos 13 e 19. A operação foi liderada por Abdel Kader Haidara, bibliotecário local, que mobilizou parentes, arquivistas e guias turísticos, sem apoio estatal inicial ou financiamento organizado, usando recursos próprios e de conhecidos.
Após a chegada a Bamako, os manuscritos permaneceram guardados por 13 anos em condições improvisadas, longe do clima seco de Timbuktu que os preservara por séculos. A umidade e o calor da capital representaram um desafio de conservação não previsto. O sigilo foi mantido durante todos os sete meses da operação, só revelada após sua conclusão, para não expor o plano a riscos.



