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Violência contra a mulher: o problema não está na água, mas na formação dos homens

A frequência de casos de violência contra a mulher levanta questionamentos sobre a raiz do problema, que especialistas apontam estar na educação e permissividade social, não em fatores externos.

Por Redação Zero Um · 10 de junho de 2026 à s 14:30
Violência contra a mulher: o problema não está na água, mas na formação dos homens

Diariamente, novos casos de agressão, cárcere privado e feminicídio surgem nos noticiários, levando a questionamentos sobre o que motiva tamanha violência. A sensação de que algo está errado com a água ou com a saúde mental dos agressores é recorrente, mas a análise de especialistas aponta para uma direção diferente: a forma como os homens são educados e autorizados a se comportar na sociedade.

A jornalista Hérica Rocha, mestra em Comunicação e Sociedade pela UFT, reflete sobre sua experiência como mulher negra de 45 anos e destaca que a violência não começa nos casos extremos, mas nas microagressões cotidianas. Homens que interrompem, explicam o que a mulher acabou de dizer, tentam calibrar o tom de voz ou se sentem no direito de ditar comportamentos são exemplos de uma estrutura que normaliza o controle.

Os números de violência não sustentam a narrativa de que se trata de exceções ou surtos isolados. A violência doméstica segue um roteiro previsível e repetido, cometido por pessoas próximas, dentro de casa. Apesar disso, as campanhas de prevenção continuam focadas em ensinar mulheres a identificar sinais e se proteger, como se a origem do problema estivesse nelas.

A proposta é inverter a lógica: em vez de palestras para mulheres, seria mais eficaz lotar auditórios de homens para ensinar, de forma direta e incômoda, que controle, agressão e posse não são amor. A violência não está na água, mas na permissão histórica dada aos homens para existirem sem limites. Enquanto a sociedade tratar esses atos como exceção, a raiz do problema continuará intocada.

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