Zero Um do TocantinsPalmas/TOPainel
← Cidades Cidades

Servidora do CRAS é denunciada por se recusar a fazer visita técnica em terreiro de Candomblé em Palmas

Uma servidora pública do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Palmas é acusada de racismo religioso após se recusar a realizar uma visita técnica em um terreiro de Candomblé, interrompendo o atendimento a uma pessoa em situação de vulnerabilidade.

Por Redação Zero Um · 27 de julho de 2026 às 17:00
Servidora do CRAS é denunciada por se recusar a fazer visita técnica em terreiro de Candomblé em Palmas

O caso ocorreu na última semana, quando uma pessoa acolhida temporariamente pelo Ilê Odé Oyá procurou o CRAS para solicitar benefícios como aluguel social. Durante a visita técnica obrigatória para análise do pedido, a servidora teria se recusado a entrar no imóvel ao perceber que se tratava de um terreiro de Candomblé, deixando o local sem concluir o atendimento.

A denúncia foi registrada em Boletim de Ocorrência pelo líder religioso Pai William, do Ilê Odé Oyá, e também na Ouvidoria da Prefeitura de Palmas. Em entrevista a uma emissora local, Pai William afirmou que esta não é a primeira vez que a comunidade enfrenta esse tipo de situação e classificou o episódio como uma grave violação de direitos humanos.

A vereadora Thamires Lima, do Coletivo SOMOS, manifestou preocupação e disse que vai acompanhar o caso de perto. "Nenhuma pessoa pode ser privada do acesso às políticas públicas por causa da sua religião. Se os fatos forem confirmados, estaremos diante de uma grave violação de direitos e de um possível caso de racismo religioso", declarou.

O co-vereador José Eduardo de Azevedo também se manifestou, destacando que o ocorrido representa uma dupla violência contra quem já vivia em situação de vulnerabilidade. "Quem procura o CRAS busca proteção social, não julgamento sobre sua fé. Nenhum servidor público pode permitir que suas convicções pessoais interfiram no exercício da função pública", afirmou.

Lideranças de povos e comunidades tradicionais e defensores de direitos humanos divulgaram notas de repúdio, cobrando apuração rigorosa e responsabilização dos envolvidos. O caso reacende o debate sobre o racismo religioso e a necessidade de respeito às religiões de matriz africana no atendimento prestado por órgãos públicos.

Leia também