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Projeto Lago Vivo devolve 165 mil peixes ao Lago Azul, em Araguaína, e busca meta de 200 mil

Quarenta anos após a Barragem do Corujão alterar o regime hídrico do Lago Azul, em Araguaína, o Projeto Lago Vivo já reintroduziu 165 mil peixes nativos e precisa de mais 35 mil para atingir a meta de 200 mil estabelecida em 2019.

Por Redação Zero Um · 12 de setembro de 2026 às 01:56
Projeto Lago Vivo devolve 165 mil peixes ao Lago Azul, em Araguaína, e busca meta de 200 mil

A construção da Barragem do Corujão modificou o regime de água que abastece o Lago Azul, em Araguaína, e fez desaparecer do local espécies de peixes que chegavam pelo rio Lontra. O lago ficou quatro décadas sem esses animais. Em 2019, a prefeitura criou o Projeto Lago Vivo com uma meta definida: reintroduzir 200 mil peixes nativos provenientes do mesmo rio.

Até junho de 2025, o programa havia solto 140 mil peixes. Uma nova liberação elevou o total a 165 mil, restando 35 mil para cumprir o objetivo. Durante a Semana do Meio Ambiente de 2025, uma única ação devolveu 25 mil alevinos ao lago. Alevino é o peixe jovem, com poucos centímetros, criado em tanque antes de ser transferido para a água aberta.

Neste ano, a secretaria municipal de meio ambiente inseriu 1,5 mil quilos de peixes adultos no ecossistema. Foram soltos tambaqui, pintado, tambatinga, tambacu, tucunaré e surubim. A soltura de adultos é mais cara e mais arriscada no transporte, mas reduz o ciclo, pois o animal já passou da faixa de tamanho em que serve de alimento a predadores. Além dessas espécies, o projeto trabalha com pacu, caranha, piauçu, matrinchã, curimatã e pirarucu, todas nativas da bacia e presentes no rio Lontra antes da barragem.

O número de 165 mil se refere a peixes colocados na água, não a peixes vivos atualmente no lago. A mortalidade pós-soltura é elevada e varia conforme temperatura, oxigênio dissolvido, transporte e tamanho do animal no momento da liberação. Estudos de repovoamento em lagos urbanos costumam registrar sobrevivência de alevinos bem abaixo da metade no primeiro ano. Por isso, projetos consistentes fazem nova medição depois, em vez de comemorar apenas a soltura. O indicador que fecharia a conta é a captura por unidade de esforço, obtida em campanhas de monitoramento.

O Lago Azul é artificial e fica dentro da cidade, com calçadão, praia e via de contorno. Isso implica carga de esgoto irregular, lixo e pressão de pesca amadora, fatores que o programa tenta compensar com ações de limpeza e manutenção da margem. Lagos urbanos também aquecem mais e recebem menos sombra de mata ciliar, o que reduz o oxigênio dissolvido nos meses secos, afetando primeiro os peixes maiores. A pesca no lago é liberada em datas específicas e segue regra própria de tamanho mínimo por espécie, definida pelo Naturatins e por portarias federais.

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