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Programa Move Aplicativos inclui carros seminovos, mas aprovação de crédito ainda é baixa

O governo federal ampliou o programa Move Aplicativos para financiar carros seminovos elétricos ou híbridos flex, mas a adesão segue tímida devido à dificuldade de aprovação de crédito.

Por Redação Zero Um · 18 de julho de 2026 às 09:00
Programa Move Aplicativos inclui carros seminovos, mas aprovação de crédito ainda é baixa

O programa Move Aplicativos, que oferece financiamento com juros reduzidos para motoristas de aplicativos e taxistas, foi ampliado e agora inclui veículos seminovos. A linha de crédito, antes restrita a carros novos, passou a contemplar modelos usados que atendam a critérios como preço máximo de R$ 150 mil, serem elétricos ou híbridos flex, fabricados a partir de 2024 e de montadoras habilitadas no programa Mover.

Entre os seminovos híbridos flex que se encaixam nas regras estão Fiat Pulse (R$ 107.493), Fiat Fastback (R$ 117.746), Peugeot 2008 GT (R$ 146.415) e Peugeot 208 GT (R$ 120.769). Já entre os elétricos disponíveis na mesma faixa de preço aparecem BYD Dolphin Mini (R$ 98.136), BYD Dolphin (R$ 118.540), GWM Ora 03 (R$ 120.391), GAC Aion UT (R$ 128.790), Chevrolet Spark EUV (R$ 139.020), Geely EX2 (R$ 113.882) e Renault Kwid E-Tech (R$ 81.412).

Apesar da ampliação e da reserva de R$ 30 bilhões para financiamentos com juros abaixo do mercado, a adesão continua baixa. Dados do BNDES mostram que, até 14 de julho, apenas R$ 1 bilhão havia sido comprometido, cerca de 3% do total. Especialistas apontam que o principal entrave não está nas condições do programa, mas na dificuldade de aprovação de crédito pelos bancos.

A economista Tereza Fernandez afirma que muitos motoristas não conseguem atender aos critérios das instituições financeiras e que, mesmo com juros menores, o valor das parcelas continua elevado. O consultor automotivo Milad Kalume Neto destaca que o risco de inadimplência permanece com os bancos, tornando a análise de crédito mais rigorosa. Entre as nove instituições participantes, apenas duas são consideradas mais acessíveis para esse público.

O pesquisador Armando Castelar, da FGV Ibre, acrescenta que o alto endividamento das famílias brasileiras reduz o interesse e a capacidade de contratar novos financiamentos. Dados do Serasa mostram que, em junho, o Brasil registrou 83,7 milhões de consumidores endividados, o maior número da série histórica. Leandro Cruz, presidente do sindicato dos motoristas de aplicativos de São Paulo, reforça que muitos profissionais com renda suficiente têm o crédito recusado por restrições financeiras.

O BNDES afirma que não há dificuldades no repasse dos recursos às instituições financeiras e que os valores seguem disponíveis. A Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos (Fenauto) avalia que os resultados tendem a ser limitados se os critérios de concessão de crédito permanecerem inalterados. A Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef) compartilha da mesma avaliação, ressaltando que a aprovação continua sujeita à análise de risco.

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