Por que a natureza acalma? Ciência explica efeitos no cérebro e no corpo
Pesquisas científicas apontam que o contato com ambientes naturais pode reduzir o estresse, melhorar a atenção e até influenciar indicadores físicos como a pressão arterial.

Diversos estudos têm investigado os efeitos do contato com a natureza sobre o corpo e a mente. A sensação de tranquilidade após uma caminhada em um parque ou alguns minutos observando árvores não é apenas uma impressão subjetiva: a ciência tem identificado mudanças fisiológicas e cognitivas associadas a esses ambientes.
Uma das principais explicações é a hipótese da redução do estresse, segundo a qual ambientes naturais podem ativar o sistema nervoso parassimpático, responsável pelo estado de relaxamento e digestão. Isso pode diminuir respostas típicas do estresse, como alterações na frequência cardíaca, e ajudar o organismo a se recuperar após situações tensas. O pesquisador Gregory Bratman, da Universidade de Washington, estuda essa relação e destaca que os efeitos variam entre as pessoas e não substituem tratamentos médicos ou psicológicos.
Outra teoria é a da restauração da atenção. Nas cidades, somos constantemente exigidos por estímulos como trânsito, ruídos e multidões, o que pode sobrecarregar a capacidade de concentração. Em ambientes naturais, os estímulos — como o movimento das folhas, o som da água e os pássaros — atraem a atenção de forma menos desgastante, permitindo que o cérebro recupere parte de sua capacidade de foco.
Pesquisas conduzidas por Bratman e outros cientistas compararam pessoas que caminharam em ambientes naturais e urbanos. Em um dos estudos, participantes que caminharam 50 minutos em meio à natureza apresentaram redução da ansiedade e melhor desempenho em testes de memória de trabalho, lembrando em média nove a dez letras a mais do que aqueles que caminharam em área urbana.
A ideia de que a natureza auxilia na recuperação não é nova. Um estudo da década de 1980 acompanhou pacientes após cirurgia de vesícula biliar e verificou que aqueles que podiam ver árvores pela janela tiveram recuperação mais rápida, precisaram de menos analgésicos e apresentaram registros mais positivos em comparação aos que viam uma parede de tijolos. Atualmente, hospitais e centros de apoio, como a rede Maggie’s no Reino Unido, incorporam jardins e grandes janelas para conectar pacientes ao ambiente externo.



