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Polícia descarta que irmãos desaparecidos no MA estejam entre crianças encontradas nos EUA

A Polícia Civil do Maranhão afirmou que a Polícia Federal não identificou nenhum pedido de cooperação internacional ligando os irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael, desaparecidos há oito meses em Bacabal, a crianças localizadas nos Estados Unidos.

Por Redação Zero Um · 09 de setembro de 2026 às 23:44
Polícia descarta que irmãos desaparecidos no MA estejam entre crianças encontradas nos EUA

A Polícia Civil do Maranhão informou que a Polícia Federal descartou a existência de um pedido de cooperação internacional que indique que os irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos há oito meses em Bacabal, tenham sido localizados nos Estados Unidos. A informação foi divulgada após a circulação de mensagens que relacionavam o desaparecimento das crianças à Operação Statewide Shield, realizada recentemente nos Estados Unidos.

Segundo a Polícia Federal, nenhuma criança brasileira está entre as 163 pessoas localizadas durante a operação. O delegado-geral da Polícia Civil do Maranhão, Augusto Barros, disse que a PF foi consultada depois que as informações começaram a circular. "Buscamos a Polícia Federal e obtivemos a confirmação de que não existe qualquer pedido de cooperação internacional relacionado a crianças maranhenses desaparecidas que tenham sido localizadas em alguma operação realizada naquele país", afirmou.

A mãe das crianças, Clarice Cardoso, participou nesta quarta-feira (9) de uma reunião na sede da Polícia Federal, em São Luís, para tratar da ampliação das buscas. O encontro foi solicitado por Clarice e pela advogada da família, Nathaly Moraes. Durante a reunião, foi solicitada a inclusão dos nomes de Ágatha e Allan na Difusão Amarela da Interpol. O pedido será analisado pela Diretoria de Cooperação Internacional da Polícia Federal e, posteriormente, encaminhado à Interpol, que decidirá sobre a emissão do alerta.

A Difusão Amarela é um mecanismo de cooperação policial internacional utilizado para auxiliar na localização de pessoas desaparecidas. O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), afirmou que a medida busca ampliar a cooperação com outros países. Segundo ele, as diligências continuam e todas as informações recebidas são analisadas pelas equipes responsáveis. O governo informou que denúncias podem ser feitas pelo Disque-Denúncia, no número 181. A Polícia Federal também confirmou que não havia recebido solicitações anteriores para incluir os dois irmãos no sistema da Interpol. O pedido apresentado nesta quarta-feira foi o primeiro registrado no caso.

Após a reunião na Polícia Federal, foi coletado material genético de Clarice Cardoso para comparação com o DNA de uma criança encontrada nos Estados Unidos. Segundo a advogada da família, existe a suspeita de que a criança possa ser Allan Michael. A Polícia Federal informou que a coleta foi realizada pelo Setor Técnico-Científico da instituição. A amostra será encaminhada ao Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília. No laboratório, será elaborado o perfil genético do material. Depois, os dados poderão ser inseridos no Banco Nacional de Perfis Genéticos para eventuais comparações.

A família passou a considerar essa possibilidade após a divulgação de informações sobre crianças encontradas nos Estados Unidos. "Eu sempre falei nas minhas entrevistas que coração de mãe não engana. O meu sempre diz que meus filhos estão vivos. E eu tenho fé de que eles vão ser encontrados", afirmou Clarice. A família apresentou imagens de uma criança localizada nos Estados Unidos que, segundo a advogada, poderia ter características semelhantes às de Allan. As fotografias, porém, não são suficientes para confirmar a identidade. Clarice afirmou ter reconhecido algumas características físicas nas imagens, mas destacou que somente o exame genético poderá confirmar ou descartar a suspeita. "Não dá para ter muita certeza, mas cada característica da criança é igual à do Michael", disse.

Ágatha e Allan desapareceram em 4 de janeiro de 2026, quando brincavam em uma região de mata do quilombo São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal. Um primo deles, de 8 anos, também desapareceu, mas foi encontrado dois dias depois. Desde então, uma grande força-tarefa foi mobilizada para tentar localizar os dois irmãos. As buscas envolveram Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Exército, Marinha, ICMBio, Guarda Municipal e voluntários, com operações em áreas de mata, rios e lagos. Em janeiro, mergulhadores da Marinha chegaram a utilizar sonar de varredura lateral para procurar possíveis vestígios em áreas aquáticas. A polícia também analisou denúncias de possíveis avistamentos em outros estados e chegou a descartar informações sobre crianças que teriam sido vistas em um hotel em São Paulo. Em diferentes momentos, foram encontrados objetos e peças de roupas que chegaram a ser analisados, mas nenhum deles foi confirmado como pertencente às crianças. Após semanas de operações intensivas, as buscas em campo foram reduzidas, mas a investigação criminal continuou.

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