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Planeta pode superar 1,5°C e ampliar eventos extremos, alertam especialistas

Relatório da ONU indica que o aquecimento global pode ultrapassar 1,5°C nos próximos anos, intensificando fenômenos climáticos severos.

Por Redação Zero Um · 02 de setembro de 2026 às 22:04
Planeta pode superar 1,5°C e ampliar eventos extremos, alertam especialistas

Um novo alerta das Nações Unidas, divulgado nesta quarta-feira (2), aponta que o planeta pode ultrapassar o limite de 1,5°C de aquecimento global nas próximas décadas. Especialistas ouvidos pelo portal Surgiu afirmam que esse cenário tende a tornar mais frequentes eventos extremos, como ondas de calor, secas prolongadas, chuvas torrenciais e prejuízos agrícolas.

André Guimarães, diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), classificou o momento como crítico. "Hoje é um dia triste para a humanidade. Fomos derrotados por nós mesmos", lamentou. Ele defende a redução imediata da queima de combustíveis fósseis e o fim da conversão de florestas como medidas essenciais para reverter a trajetória atual.

A climatologista Thelma Krug, presidente do Comitê Diretor do Sistema Global de Observação do Clima (GCOS), da Organização Meteorológica Mundial, destacou que a temperatura global já está 1,37°C acima dos níveis pré-industriais, com um avanço de cerca de 0,26°C por década. "Se mantivermos o ritmo atual de emissões, teremos apenas três ou quatro anos para limitar o aquecimento", calculou.

No campo econômico, o economista Sergio Margulis, professor da PUC-Rio, alerta que perdas em infraestrutura, agricultura, saúde e energia já representam cerca de 2% do PIB global. Ele defende que os investimentos em descarbonização, hoje em torno de US$ 2 trilhões, precisam mais que dobrar. "Adaptação não resolve o problema físico do aquecimento global. Temos que parar com as emissões", enfatizou.

Claudio Angelo, coordenador de política internacional do Observatório do Clima, reforça que ultrapassar 1,5°C não significa abandonar a meta, mas exige ações mais duras. "É preciso parar já a expansão fóssil no mundo, e a COP31, daqui a dois meses, é uma oportunidade de tomar essa decisão", afirmou. Os especialistas concordam que medidas imediatas são necessárias para mitigar os impactos das mudanças climáticas.

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