Pesquisador indígena Mairu Karajá morre aos 30 anos; ele cursava doutorado em Paris
Mairu Hakuwi Kuady Karajá, ativista e doutorando em Direito na França, morreu aos 30 anos, deixando legado de luta pelos povos originários.

O pesquisador e ativista indígena Mairu Hakuwi Kuady Karajá faleceu aos 30 anos. Ele era doutorando em Direito em Paris e se destacou nacionalmente pela defesa dos povos originários e pela produção acadêmica. A causa da morte não foi divulgada.
Natural da Terra Indígena São Domingos-Krehawã, em Mato Grosso, Mairu formou-se em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Tocantins (UFT), fez mestrado em Direito na Universidade de Brasília (UnB) e cursava doutorado na França. Durante a adolescência, trabalhou na limpeza de banheiros para custear os estudos após conseguir uma bolsa parcial em uma escola particular de Goiás.
O Ministério dos Povos Indígenas lamentou a morte do pesquisador neste domingo (14), destacando que sua trajetória mostrou ser possível ocupar espaços acadêmicos e institucionais sem abrir mão das identidades e conhecimentos ancestrais. Mairu também atuava como diretor-geral de operações da Biofix Brasil.
Além da carreira acadêmica, foi integrante do Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas (OBIND/UnB), coordenador territorial do projeto Ilha do Bananal+ e professor voluntário da língua Inyrybè, contribuindo para a preservação da cultura do povo Iny Karajá. Em entrevista de 2024, afirmou sentir orgulho de representar os povos originários na academia.
Seu legado permanece associado à valorização dos saberes indígenas e à defesa dos direitos dos povos originários. Mairu deixa uma mensagem de incentivo às novas gerações: "Eu sonho com um dia em que os jovens das nossas comunidades alcançarão os objetivos".



