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Operação mira desvio de verbas públicas e bloqueia R$ 2 milhões em Darcinópolis

A Polícia Civil cumpre mandados de busca e apreensão e bloqueia mais de R$ 2 milhões em uma operação que investiga desvios de recursos públicos no norte do Tocantins.

Por Redação Zero Um · 27 de agosto de 2026 às 09:50
Operação mira desvio de verbas públicas e bloqueia R$ 2 milhões em Darcinópolis

Uma operação deflagrada na manhã desta quinta-feira (27) cumpre cinco mandados de busca e apreensão e medidas de bloqueio de bens em Darcinópolis, no norte do Tocantins. A ação, batizada de Operação Pedra Furada, é conduzida pela 3ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (3ª DEIC – Araguaína), com ordens expedidas pelo Tribunal de Justiça do Tocantins.

As investigações apuram suspeitas de organização criminosa, peculato, fraude em licitações, desvio de recursos públicos, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Ao todo, 11 inquéritos policiais foram reunidos, sendo dez deles originados de procedimentos encaminhados pela Procuradoria-Geral de Justiça do Tocantins. Os fatos teriam ocorrido entre 2016 e 2024 e envolvem ex-agentes públicos, servidores, empresários e particulares.

Uma das linhas de investigação aponta o possível desvio de cerca de R$ 1 milhão em recursos federais destinados ao enfrentamento da Covid-19. Parte desse dinheiro teria sido usada para estruturar uma empresa privada de perfuração de poços e adquirir maquinários pesados, que posteriormente teriam sido registrados em nome de familiares de agentes públicos investigados. A Justiça determinou o sequestro e a remoção de uma máquina perfuratriz de poços artesianos de alto valor.

Outra frente investiga contratos de digitalização do acervo municipal e levantamento patrimonial, que teriam sido executados por servidores da própria Prefeitura, usando estrutura pública. Também são apurados mais de R$ 3,6 milhões em pagamentos relacionados à manutenção da frota municipal, com indícios de que empresas beneficiadas não teriam estrutura compatível com o volume dos serviços contratados.

A investigação alcança ainda possíveis irregularidades no Concurso Público nº 001/2023, com indícios de direcionamento na contratação da banca organizadora e manipulação de resultados para favorecer pessoas ligadas a agentes públicos e políticos locais. Durante as apurações, foi identificado crescimento patrimonial incompatível com a renda de um dos principais alvos, que declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de cerca de R$ 10 mil em 2020 e, quatro anos depois, apresentava patrimônio milionário.

A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 2 milhões em ativos financeiros, além do sequestro de cinco imóveis, seis veículos, uma máquina perfuratriz e um rebanho bovino registrado em nome de terceiros. O objetivo é preservar bens possivelmente relacionados aos crimes e garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos.

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