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José Bonifácio: o cientista que preparou o 7 de Setembro

Conhecido como Patriarca da Independência, José Bonifácio também se destacou na ciência, defendeu o fim gradual da escravidão e alertou sobre os impactos do desmatamento.

Por Redação Zero Um · 09 de setembro de 2026 às 05:01
José Bonifácio: o cientista que preparou o 7 de Setembro

O Brasil celebra os 204 anos da Independência neste 7 de Setembro. No entanto, a história desse processo vai muito além do famoso grito de Dom Pedro às margens do Ipiranga. Entre os principais personagens daquele período está José Bonifácio de Andrada e Silva, conhecido como Patriarca da Independência. Antes de se tornar ministro de Dom Pedro, porém, ele construiu uma importante carreira científica na Europa.

Nascido em Santos, em 1763, José Bonifácio partiu para Coimbra aos 20 anos. Em Portugal, formou-se em Filosofia Natural, em 1787, e em Direito, no ano seguinte. Em 1789, ingressou na Academia Real de Ciências de Lisboa. No ano seguinte, recebeu uma bolsa da rainha e iniciou uma viagem científica que duraria cerca de dez anos. Durante esse período, passou por importantes centros científicos europeus, estudando com nomes como René Just Haüy e Abraham Werner, pioneiros da cristalografia e da geologia moderna.

Ao longo dessa trajetória, Bonifácio identificou e descreveu quatro minerais: escapolita, criolita, espodumênio e petalita. A pesquisa sobre a petalita ganhou importância posteriormente, pois químicos suecos utilizaram o mineral em estudos que levaram ao isolamento do lítio. O reconhecimento científico continuou depois de sua morte: em 1868, o mineralogista americano James Dwight Dana batizou uma variedade de granada com o nome andradita, em homenagem ao brasileiro.

José Bonifácio retornou ao Brasil em 1819. Depois de se estabelecer em Santos, realizou estudos naturalistas nas matas paulistas ao lado do irmão Martim Francisco. Pouco tempo depois, assumiu a presidência da Junta Governativa de São Paulo. Em janeiro de 1822, enviou ao príncipe regente uma mensagem decisiva, defendendo a permanência de Dom Pedro no Brasil, episódio que entrou para a história como o Dia do Fico. Poucos dias depois, assumiu o cargo de Ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros, passando a atuar diretamente na organização política da separação de Portugal.

O projeto de país de José Bonifácio não se limitava à independência política. Em 1823, durante a Assembleia Constituinte, ele apresentou uma Representação sobre a Escravatura, defendendo o fim gradual do tráfico de pessoas escravizadas e a emancipação progressiva dos cativos. Ele argumentava que os negros possuíam os mesmos sentimentos humanos que os brancos. No entanto, a proposta não avançou, pois Dom Pedro I dissolveu a Assembleia naquele mesmo ano.

A preocupação ambiental também fazia parte do pensamento de Bonifácio. Em 1821, antes mesmo da Independência, ele criticou duramente a destruição das florestas brasileiras, alertando para as consequências para as futuras gerações. Sete anos depois, voltou a tratar do assunto, denunciando a destruição das matas pelo fogo e pelo machado, e propôs medidas para proteger os recursos naturais, como a reversão à Coroa de terras não cultivadas.

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