Inflação de maio fica em 0,58% puxada por alimentos; IPCA acumula 4,72% em 12 meses e sai do teto da meta
A inflação de maio foi de 0,58%, impulsionada principalmente pelo preço dos alimentos, que responderam por metade do índice, e o acumulado em 12 meses chegou a 4,72%, superando o limite superior da meta do governo.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio registrou alta de 0,58%, conforme dados divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE. O resultado veio acima da expectativa do mercado, que projetava 0,48% segundo o Boletim Focus. Apesar de ter perdido força em relação aos meses anteriores — março teve 0,88% e abril 0,67% —, o acumulado em 12 meses atingiu 4,72%, ultrapassando o teto da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
O grupo alimentação e bebidas foi o principal responsável pela alta, com variação de 1,33% e impacto de 0,29 ponto percentual no índice geral. Os itens que mais pressionaram foram batata-inglesa (alta de 44,69%), tomate (20,62%), carnes (1,39%) e cebola (16,80%). Segundo Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IBGE, a menor oferta de alguns produtos e o aumento do custo do frete rodoviário explicam a alta. Ele também destacou que o preço dos fertilizantes, influenciado pelo conflito no Oriente Médio, pode ter elevado os custos de produção.
O segundo maior impacto veio do grupo habitação, que subiu 1,22%, puxado pela energia elétrica residencial, com alta de 3,67%. A conta de luz foi o item individual que mais contribuiu para a inflação do mês, com impacto de 0,15 ponto percentual, devido à bandeira tarifária amarela e reajustes contratuais em seis regiões metropolitanas.
Por outro lado, o grupo transportes registrou deflação de 0,46%, aliviado pela queda nos combustíveis: etanol (-6,20%), óleo diesel (-2,34%) e gasolina (-1,46%). A gasolina foi o produto que mais puxou o índice para baixo, com impacto negativo de 0,08 ponto percentual. O índice de difusão mostrou que 65% dos 377 produtos e serviços pesquisados tiveram alta de preços em maio.
O IPCA de serviços ficou em 0,40% no mês e 5,97% em 12 meses, enquanto o grupo de preços monitorados subiu 0,43% no mês e 5,85% no acumulado. O mercado financeiro projeta inflação de 5,11% para o fim de 2026.



