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Crescimento regional amplia disputa por investimentos fora dos grandes centros

A expansão de novos polos produtivos começa a alterar a geografia dos investimentos no Brasil, criando oportunidades fora dos grandes centros econômicos.

Por Redação Zero Um · 16 de setembro de 2026 às 18:20
Crescimento regional amplia disputa por investimentos fora dos grandes centros

Regiões tradicionalmente ligadas à produção agropecuária vêm ampliando sua participação em atividades industriais, logísticas e de serviços, o que tem modificado a distribuição do fluxo de capitais no país. O movimento coloca em evidência a capacidade de atrair negócios e a disponibilidade de infraestrutura como fatores cada vez mais próximos do crescimento regional.

A concentração econômica nos grandes centros ainda é significativa, mas diferentes regiões vêm ganhando espaço na atração de projetos. Custos operacionais, oferta de áreas, proximidade de matérias-primas e acesso a mercados consumidores ou corredores de exportação pesam nessa decisão. O Tocantins aparece como exemplo: projeção divulgada em 2026 aponta crescimento de 3,85% do PIB estadual no ano, acima da média nacional. Em Palmas, foram abertas 6.653 empresas entre janeiro e maio, alta de 10,6% sobre igual período de 2025.

O desempenho do agronegócio impulsiona outras atividades. A expansão do setor gera demanda por armazenagem, transporte, processamento, máquinas, manutenção, tecnologia e serviços especializados, o que ajuda a diversificar as cadeias econômicas locais. No Tocantins, a safra 2025/26 foi estimada em 9,63 milhões de toneladas de grãos, com soja e milho entre os principais produtos, reforçando a necessidade de conexão entre produção e logística.

A infraestrutura é apontada como fator determinante para que o crescimento se sustente. Estradas, energia, telecomunicações, armazenagem e ligações eficientes com outros mercados são essenciais para a competitividade de novos empreendimentos. No primeiro trimestre de 2026, o BNDES aprovou R$ 778,8 milhões em crédito para o Tocantins, aumento de 370,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, sendo R$ 605,5 milhões para infraestrutura. A Codevasf prevê cerca de R$ 185 milhões em investimentos no estado em 2026, com pavimentação, pontes, equipamentos e apoio à produção rural.

A disputa por investimentos não se resume a incentivos financeiros. Empresas de longo prazo também avaliam mão de obra, segurança jurídica, qualidade da infraestrutura, acesso a fornecedores e previsibilidade. Para estados fora dos grandes centros, o período de crescimento abre uma janela de oportunidade, mas não garante continuidade. O capital atraído precisa ampliar a capacidade produtiva, gerar empregos, desenvolver fornecedores locais e criar novas atividades econômicas.

O avanço de regiões como o Tocantins indica que a geografia econômica brasileira pode se tornar mais diversificada. Para que a mudança seja duradoura, no entanto, crescimento e investimento precisam ser acompanhados por infraestrutura adequada e políticas que consolidem os polos emergentes.

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