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Brasileirão Sub-20: artilheiros, formação de talentos e as lições da final de 2026

O Brasileirão Sub-20 se consolida como vitrine para jovens talentos, e a final de 2026 entre Vasco e Palmeiras trouxe lições sobre formação e transição para o profissional.

Por Redação Zero Um · 19 de setembro de 2026 às 00:43
Brasileirão Sub-20: artilheiros, formação de talentos e as lições da final de 2026

O Campeonato Brasileiro Sub-20 tem se firmado como uma das principais plataformas de desenvolvimento de jogadores no país. Desde 2015, a competição reúne clubes de diversas regiões, oferece visibilidade a atletas em transição para o profissional e os coloca em partidas com pressão real. No entanto, o desempenho na categoria não assegura sucesso na carreira profissional, como mostram os históricos de artilheiros.

Evanilson, que brilhou em 2019, posteriormente chegou ao futebol europeu e à Seleção Brasileira. Já Gabriel Silva, do Palmeiras, marcou 16 gols em 2021, recorde para uma edição na época, mas teve uma trajetória profissional menos linear. Em 2024, Thalys fez 15 gols pelo Palmeiras, e no ano seguinte Luca Oliveira anotou 13. Essa sequência reforça que o desempenho aos 18 ou 19 anos mede o potencial de desenvolvimento, não o teto definitivo do atleta.

A final de 2026 foi um exemplo do que o Sub-20 pode ensinar. O Palmeiras venceu o primeiro jogo por 1 a 0, em São Januário, e chegou à decisão como maior campeão do torneio, com quatro títulos e presença em sete das nove finais anteriores. O Vasco, porém, reagiu no Nubank Parque: venceu por 2 a 0 em 4 de setembro e conquistou o título inédito. A CBF registrou oficialmente a virada, com dois gols de Andrey Fernandes.

Alguns jogadores vascaínos se destacaram. Felipe Teresa foi o artilheiro, com 15 gols, apesar de sair lesionado no primeiro tempo da decisão. Andrey, de 18 anos, marcou os dois gols do título e terminou com 13, na vice-artilharia. O goleiro Phillipe Gabriel também foi decisivo, com defesas importantes nos minutos finais que impediram o empate no agregado. A atuação reforça que uma base forte não se resume a atacantes goleadores; goleiros, defensores e meio-campistas também precisam ser avaliados em situações de pressão.

A principal lição da final foi a capacidade de reação. O Vasco perdeu o primeiro jogo e reverteu a vantagem contra um adversário que esteve em sete das últimas nove finais. Para atletas jovens, experiências assim testam tomada de decisão e controle emocional. Após a derrota, os jogadores do Palmeiras formaram um corredor e aplaudiram os campeões, gesto que contrasta com episódios de hostilidade no futebol brasileiro. A formação esportiva também envolve aprender a perder e respeitar o rival.

A final masculina teve mais de 25 mil pessoas no estádio. No mesmo período, o time feminino profissional do Palmeiras disputou partida decisiva do Brasileirão em Barueri diante de menos de 300 espectadores. A diferença evidencia que o debate sobre formação não pode ignorar acesso, divulgação e investimento no futebol feminino. Formar jogadores exige competição, comissão técnica, estrutura e público. A base masculina avançou nesse ecossistema, enquanto outras categorias ainda buscam condições semelhantes.

O Brasileirão Sub-20 funciona melhor quando entendido como ponte. Andrey Fernandes disse após a final estar preparado para uma oportunidade no profissional, e Felipe Teresa encerrou como principal goleador. Nenhum deles, porém, tem garantia de promoção ao time principal do Vasco ou de qualquer outro clube. Antes disso, é preciso analisar os elencos e ver se se encaixam no estilo de jogo proposto pelos técnicos. O sucesso profissional vai além do Sub-20: a pressão é diferente, as partidas são mais técnicas e o calendário mais apertado, resultando em maior desgaste físico ao longo da temporada.

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