Brasil fica fora do eclipse solar mais longo do século, em agosto de 2027, mas verá anel de fogo no carnaval
O eclipse solar total de 2 de agosto de 2027, com até 6 minutos e 23 segundos de totalidade, não será visível do Brasil, mas o país entra na rota de um eclipse anular em 6 de fevereiro, sábado de carnaval.

O eclipse solar total previsto para 2 de agosto de 2027 terá duração de até 6 minutos e 23 segundos no ponto de máximo, nas proximidades de Luxor, no Egito, e é apontado como o mais longo do século. De acordo com a NASA, não haverá totalidade tão extensa em terra firme até 2114. Do território brasileiro, no entanto, nenhuma fase do fenômeno poderá ser acompanhada.
A faixa de totalidade atravessa o sul da Espanha e Gibraltar, passa pelo norte do Marrocos e segue por Argélia, Tunísia, Líbia, Egito, Sudão, Arábia Saudita, Iêmen e Somália. O instante de maior eclipse ocorre às 10h07min50s no horário universal, o que corresponde a 7h07 em Brasília. Em Luxor, a totalidade tem início às 13h02 no horário local e se estende por 6 minutos e 22 segundos. A cidade às margens do Nilo, conhecida por abrigar templos do Egito Antigo, tem céu geralmente limpo em agosto e concentra a procura de turistas e astrônomos.
A ausência do Brasil no evento não decorre do horário. Embora o Sol já esteja nascido em boa parte do país às 7h de Brasília, a sombra parcial da Lua cobre nessa data a Europa, quase toda a África, o Oriente Médio e partes da Ásia, sem alcançar a América do Sul. A explicação está na geometria: a região da Terra de onde se observa a Lua passar diante do Sol não inclui o território brasileiro. Não se sustenta, portanto, a versão repetida em alguns sites de que o eclipse não seria visto por ocorrer à noite no país.
Antes do eclipse do século, o Brasil entra na rota de outro fenômeno. Em 6 de fevereiro de 2027, sábado de carnaval, um eclipse solar anular, conhecido como anel de fogo, cruza Chile, Argentina, Uruguai e o extremo sul do Brasil, antes de seguir pelo Atlântico até a costa oeste da África. No eclipse anular, a Lua está mais distante da Terra e parece menor no céu, de modo que não cobre totalmente o Sol e deixa um anel luminoso ao redor. O anel de maior duração, com 7 minutos e 51 segundos, ocorre sobre o oceano, na altura da costa do Rio Grande do Sul.
Em Santa Vitória do Palmar (RS), a fase anular vai das 12h42min03s às 12h46min35s pelo horário de Brasília, totalizando 4 minutos e 32 segundos de anel. O eclipse parcial na cidade começa às 10h57 e termina às 14h26, com cobertura máxima de 86,25% do Sol. No restante do país, o fenômeno será parcial, com cobertura menor conforme a distância do observador em relação à faixa. No extremo noroeste brasileiro, segundo o astrônomo Emerson Perez, em entrevista à CNN Brasil, ele não será visível.
Nenhuma fase de um eclipse anular pode ser observada a olho nu, pois o anel de Sol remanescente ainda é forte o bastante para lesionar a retina. A proteção indicada é o uso de óculos com filtro solar certificado pela norma ISO 12312-2. Óculos escuros comuns, chapas de radiografia e vidros fumês não oferecem segurança. O próximo eclipse solar total visível no Brasil está previsto para 12 de agosto de 2045, com faixa de totalidade sobre Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, passando por capitais como Belém, São Luís, João Pessoa e Recife. O Tocantins ficará fora dessa faixa e verá o fenômeno de forma parcial. Em 2 de agosto de 2046, outro eclipse total passa por Sergipe e Alagoas, com Aracaju e Maceió na rota, no início da manhã.



