Zero Um do TocantinsPalmas/TOPainel
← Política Política

Brasil avança em 71% dos indicadores de desigualdade, mas concentração de renda cresce

Levantamento do Dieese mostra melhorias em emprego, renda, educação e segurança alimentar, mas alerta para aumento da distância entre ricos e pobres.

Por Redação Zero Um · 13 de agosto de 2026 às 09:41
Brasil avança em 71% dos indicadores de desigualdade, mas concentração de renda cresce

O Brasil melhorou em 71% dos indicadores de desigualdade atualizados na edição de 2026 do Observatório Brasileiro das Desigualdades, segundo levantamento do Dieese em parceria com o Ministério das Mulheres. Os avanços ocorreram em áreas como trabalho, renda, educação e segurança alimentar, mas o país registrou aumento na concentração de renda, com o 1% mais rico ganhando 31,5 vezes mais que os 50% mais pobres em 2025, ante 30,2 vezes no ano anterior.

No mercado de trabalho, a taxa de desocupação caiu para 5,6% em 2025, e o rendimento médio real subiu 5,3%, alcançando R$ 3.376. A população com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo diminuiu de 25,4% para 24,7%, mas as regiões Norte e Nordeste ainda concentram as maiores proporções de pessoas nessas faixas.

Apesar dos avanços, as desigualdades de gênero e raça persistem. O rendimento médio das mulheres cresceu menos que o dos homens, e a renda feminina passou a representar 72,2% da masculina. Mulheres negras ganham, em média, R$ 2.184, enquanto homens não negros recebem R$ 5.172, ampliando a diferença entre esses grupos.

Na educação, o analfabetismo caiu de 5,3% para 4,9% entre pessoas com 15 anos ou mais, mas o Nordeste ainda tem taxa de 10,6%, contra 2,4% no Sul. Entre a população negra, o analfabetismo é de 6,5%, mais que o dobro do registrado entre não negros. Na segurança alimentar, houve redução da insegurança moderada ou grave, mas permanecem diferenças raciais e de gênero.

O relatório também aponta que a tributação da renda no Brasil segue regressiva, com carga efetiva menor para os mais ricos, apesar de mudanças recentes como a ampliação da isenção para quem ganha até R$ 5 mil e o aumento de tributos sobre rendimentos acima de R$ 600 mil anuais.

Leia também