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Bancada BBBB: aliança conservadora impõe derrotas sociais e amplia privilégios

A bancada formada por setores do agronegócio, armamentistas, bancos e igrejas atua de forma coordenada no Congresso para aprovar pautas que favorecem a acumulação privada em detrimento de políticas sociais e direitos humanos.

Por Redação Zero Um · 08 de junho de 2026 à s 09:15
Bancada BBBB: aliança conservadora impõe derrotas sociais e amplia privilégios

Uma análise recente revela como a chamada bancada BBBB (Boi, Bala, Bíblia e Bancos) tem agido de maneira articulada para aprovar projetos que beneficiam seus interesses, enquanto impõe derrotas a pautas sociais. Entre as iniciativas aprovadas estão a ampliação da imunidade tributária para igrejas, a redução de penas para condenados por atos antidemocráticos e a revogação de resoluções que protegiam crianças vítimas de violência sexual.

Em junho de 2026, a Câmara aprovou a chamada PEC das Igrejas, que estende a isenção fiscal a entidades religiosas, incluindo a compra de helicópteros, com potencial perda de R$ 7 bilhões em arrecadação. No mesmo mês, um decreto legislativo revogou, em menos de dois minutos e sem debate, uma resolução do Conanda que regulamentava o atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual nos casos de aborto legal.

A senadora Damares (PL), relatora da proposta, que já declarou ter sido estuprada por pastores na infância, também assinou uma PEC para manter a escala 6x1, dificultando que mães possam cuidar de seus filhos. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023 apontam que, em 2022, foram registrados 40.659 estupros de menores de 13 anos, sendo quatro por hora, e 73% dos abusos ocorrem dentro de casa.

A bancada BBBB reúne interesses diversos: banqueiros que lucram com juros altos e dívida pública; ruralistas que se beneficiam de subsídios, grilagem e uso de agrotóxicos; defensores do armamento e da redução da maioridade penal; e igrejas que buscam ampliar isenções fiscais e atuar no sistema de saúde. Essa coalizão tem conseguido aprovar pautas como a redução da Floresta Nacional do Jamanxim e a derrubada de vetos a projetos que beneficiam condenados por tentativa de golpe.

O resultado é um cenário em que os mais ricos e poderosos ampliam seus privilégios, enquanto os mais vulneráveis perdem direitos. A bancada, que representa menos de 1% da população, tem peso eleitoral desproporcional e atua para manter seu poder econômico e político.

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