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Ar-condicionado e ventilador lideram incêndios elétricos no Brasil em 2025, aponta Abracopel

Aparelhos de refrigeração provocaram 166 incêndios e 14 mortes no ano passado, atrás apenas das instalações elétricas inadequadas, segundo o Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica 2026.

Por Redação Zero Um · 16 de setembro de 2026 às 00:29
Ar-condicionado e ventilador lideram incêndios elétricos no Brasil em 2025, aponta Abracopel

Ar-condicionado e ventilador foram os equipamentos que mais causaram incêndios de origem elétrica no Brasil em 2025, com 166 ocorrências e 14 mortes. Os dados constam do Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica 2026, divulgado pela Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel) com base em registros do ano passado. Na frente deles aparecem apenas as próprias instalações elétricas inadequadas, responsáveis por 706 incêndios e 33 mortes.

No total, os incêndios elétricos somaram 1.304 casos no ano, mais que o dobro dos 606 registrados cinco anos antes. Quase metade ocorreu dentro de residências: foram 619 ocorrências, o equivalente a 47% do total e um crescimento de 22,1% em relação a 2024. As mortes se concentram ainda mais nesse ambiente — 51 das 60 vítimas fatais morreram em casa. Em cinco anos, os óbitos por incêndio elétrico subiram 28%, de 47 para 60.

Segundo José Firmo do Carmo Júnior, gerente de Saúde e Segurança Corporativa da Cemig, o problema está no circuito, não no aparelho. Equipamentos de maior potência, como ar-condicionado, chuveiro elétrico e micro-ondas, deveriam ter circuitos exclusivos para evitar sobrecarga. Ele recomenda que toda residência tenha um projeto elétrico e que qualquer serviço seja feito por profissional qualificado.

O uso de benjamins, "Ts" e extensões para ligar vários aparelhos ao mesmo tempo é apontado como uma das principais causas de sobrecarga. A fiação esquenta, o isolamento derrete e o curto-circuito pode virar incêndio em redes que não foram dimensionadas para aquela carga. O risco aumenta com aparelhos que geram calor, como fritadeira elétrica, ferro de passar e aquecedor. Em 2025, eletrodomésticos e eletrônicos em geral causaram 113 incêndios e 3 mortes; as tomadas, 20 incêndios e 2 mortes; e os carregadores de celular, 19 incêndios e 5 mortes.

A Abracopel estima que apenas 47% das residências brasileiras tenham o interruptor diferencial residual (DR), exigido por normas desde 1997 em banheiros, cozinhas, áreas de serviço e garagens. O dispositivo desliga a energia automaticamente ao identificar fuga de corrente, prevenindo choques e incêndios. Os choques elétricos também seguem elevados: foram 646 mortes em 2025, com letalidade próxima de 70%, uma das maiores do mundo, apesar da queda de 15% no número de acidentes em relação a 2024.

Diante de sinais como tomada escurecida, cheiro de plástico queimado ou disjuntor que desarma com frequência, a orientação é desligar o disjuntor do circuito no quadro de luz antes de mexer no aparelho. Fogo de origem elétrica não deve ser apagado com água enquanto houver energia no circuito, e o Corpo de Bombeiros atende pelo 193. Após a ocorrência, o circuito só deve voltar a funcionar após avaliação de um eletricista. Trocar o disjuntor por um de maior capacidade para evitar desarmes é apontado como um erro que pode transformar o aviso em incêndio.

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